O AMOR
(André L. Soares & Rita Costa)
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O amor é um sacrifício,...
o mais doce suplício,
meu sonho de martírio,
melhor sempre no início.
O amor é mesmo isso,...
às vezes, um negócio,
íntimo equinócio
do clitóris ao prepúcio.
O amor é imenso vício,...
sem hora ou compromisso,
desânimos no ócio,
nem fácil, nem difícil.
O amor é esquisito,...
um gostoso castigo,
demônio que é bendito,
inflamando o Vesúvio.
O amor é tão bonito,...
silêncio e também grito,
delícias em dilúvios,
calor, dor e abrigo.
O amor é esse bicho...
surgido do impossível,
voando em precipício
do inferno ao paraíso.
O amor não dá em rios...
nem nasce no Estácio,
não se prende a espaços,
vai esguio em meio-fio.
O amor não é infinito,...
requer tantos cuidados,
senão, faz mil estragos
aos mais desprevenidos.
O amor dá veredictos,...
condena os omissos,
convoca os esquecidos,
liberta os infelizes.
O amor vive conflitos...
em flagrante delito:
de um lado, puro espírito;
de outro, sexo explícito.
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FLOR BRANCA
(André L. Soares)
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Uma flor branca,...
numa noite escura,
pra mostrar que a vida
por ser mais dócil,
pode ser mais pura.
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Uma flor branca,
alva formosura,...
cheiro da aventura
de roubar jardim.
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Uma flor branca,...
frágil igual ternura,
madrugada a fora,
pra te lembrar que é hora
de lembrar de mim.
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